Política
Saiba como funcionou fraude de cartão de vacina de Bolsonaro
Atualizada em 20/03/2024 às 12:55 Por Redação
As investigações da PF, que incluíram depoimentos e provas como mensagens em aplicativos de celular, registros de login em sistemas de saúde e dados de geolocalização dos envolvidos, foram conduzidas sob sigilo e tiveram seu conteúdo revelado por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito.
De acordo com o relatório, o esquema teve início em novembro de 2021, quando Cid solicitou ao sargento do Exército Luis Marcos dos Reis, colega na Ajudância de Ordens da Presidência, ajuda para obter um cartão de vacinação falso para sua esposa, Gabriela Santiago Cid.
Reis então contatou seu sobrinho, o médico Farley Vinicius de Alcântara, que obteve um cartão de vacinação da Secretaria de Saúde do Estado de Goiás preenchido com duas doses da vacina contra a covid-19, em nome de Gabriela. Os dados foram retirados de um cartão de vacinação de uma enfermeira vacinada em Cabeceiras (GO), conforme mensagens recuperadas do serviço de nuvem utilizado por Cid para armazenar suas mensagens de WhatsApp.
Após essa etapa, Cid tentou inserir os dados do documento falsificado no sistema ConecteSUS para emitir o certificado de vacinação, porém, essa tentativa inicial fracassou devido à tentativa de inserção dos dados no sistema a partir do Rio de Janeiro, enquanto os lotes das vacinas registradas no cartão foram distribuídos em Goiás.
Posteriormente, o ex-major do Exército Ailton Gonçalves Moraes Barros conseguiu inserir os dados falsos no ConecteSUS no município de Duque de Caxias (RJ), com novos dados de vacina provenientes de outro cartão falso. A PF identificou que o login no sistema foi realizado a partir do computador do secretário de Governo de Duque de Caxias, João Carlos Brecha, em Niterói (RJ).
Após o sucesso do esquema para Gabriela Cid, dados falsos de vacinação foram inseridos também para as três filhas de Mauro Cid, Jair Bolsonaro, sua filha Laura, Max Guilherme Machado de Moura, Sergio Rocha Cordeiro e o deputado federal Gutemberg Reis. Todos foram indiciados pela PF por diversos crimes relacionados à falsificação de certificados de vacinação.
Os envolvidos ainda não se manifestaram oficialmente sobre as acusações.
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