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Saúde

Cultivo de maconha liberado: STJ autoriza homem a ter até 354 plantas

Atualizada em 09/06/2023 às 15:02 Por Redação
ckstockphoto / Envato
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Em uma decisão inédita, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu autorização a um paciente diagnosticado com ansiedade generalizada para cultivar até 354 plantas de maconha por ano. Essa quantidade supera em mais de cinco vezes a autorização padrão de 64 plantas estabelecida anteriormente.

O destaque dessa autorização vai além do número de plantas permitidas, pois se baseia no CID (Classificação Internacional de Doenças) específico para ansiedade generalizada. Essa patologia, ainda pouco reconhecida como uma doença séria, afeta um número crescente de pessoas no Brasil. O advogado responsável pelo caso ressalta que a ansiedade generalizada é extremamente debilitante, mencionando que o paciente experimentava dores de estômago intensas, o que afetava sua alimentação.

No Brasil, a única maneira de os pacientes com prescrição para extração vaporizável de THC terem acesso a esse tipo de produto é por meio de habeas corpus e autorização judicial, uma vez que a venda desse formato específico não está disponível comercialmente. Caso o paciente não possa cultivar sua própria cannabis, ele fica impossibilitado de ter acesso ao tratamento.

Essa decisão do STJ vai de encontro aos debates em curso no Congresso Nacional sobre a legalização do cultivo de cannabis no país. Argumentos sobre os riscos à saúde e segurança pública têm sido levantados em relação ao cultivo da planta. No entanto, o tribunal considerou que, com a devida prescrição médica e acompanhamento, o cultivo para fins medicinais não representa um risco à saúde pública nem a outros interesses protegidos pela legislação antidrogas.

Alguns especialistas expressam preocupação sobre a facilidade de fiscalização e o potencial desvio do cultivo doméstico para fins recreativos, o que poderia resultar em dependência química. No entanto, a decisão do STJ se baseia no entendimento de que, desde que haja um receituário médico e laudo aprovado pela Anvisa, a repressão criminal deve ser afastada em casos como esses.

Reprodução LightFieldStudios/Envato

A produção artesanal de óleo de canabidiol a partir da maconha, em níveis seguros para a saúde, requer equipamentos específicos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já aprovou a importação de extratos de canabidiol e THC para a fabricação de produtos, porém, esses compostos são marcados com "tarja preta" devido ao risco de dependência e intoxicação.

Essa decisão do STJ reforça a tendência recente de autorizar o cultivo de maconha para fins medicinais no país. Além disso, cria um precedente importante para os pacientes que necessitam de tratamentos à base de cannabis, demonstrando uma maior abertura para a utilização terapêutica da planta.

No entanto, alguns especialistas e juristas expressam preocupação com o papel do Judiciário nesse contexto, visto que questões relacionadas à legalização e regulamentação da cannabis deveriam ser discutidas e definidas pelo Congresso Nacional. Essa interferência do Poder Judiciário pode gerar incertezas e falta de uniformidade nas decisões sobre o tema.

Apesar disso, a decisão do STJ reflete a crescente demanda por acesso a tratamentos alternativos e mais acessíveis para diversas condições de saúde, como a ansiedade generalizada. A possibilidade de cultivar a própria cannabis para fins medicinais oferece aos pacientes uma opção viável e potencialmente mais econômica em comparação aos medicamentos importados, aliviando o ônus financeiro para aqueles que necessitam desse tipo de terapia.

Em suma, a autorização concedida pelo STJ para o cultivo de até 354 plantas de cannabis por ano, visando o tratamento da ansiedade generalizada, representa um marco na legislação brasileira e oferece esperança para aqueles que buscam opções de tratamento mais eficazes e acessíveis. Embora as questões em torno da legalização e regulamentação da cannabis no país ainda sejam objeto de debates e discussões, essa decisão destaca a importância de se considerar as necessidades dos pacientes e promover uma abordagem mais compreensiva e humanitária em relação ao uso medicinal da planta.
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