Em seu discurso de agradecimento à Paraíba, Nachtergaele emocionou a todos. “Meu corpo percorreu o Brasil todo, dando voz a personagens marginais, seja para que a gente chore ou ria com eles. Conheci o Brasil de Norte a Sul e isso é a minha vida. Apostei tudo nisso. Não tenho mulher, filhos, não tenho nada. Só tenho essa carreira, que não é pouca coisa. A Paraíba é um dos lugares mais marcantes para mim, por dentro e por fora”, disse o ator paulista.
Nachtergaele recebeu uma obra de arte do artista plástico paraibano Chico Ferreira, criada especialmente para o FestincineJP. “A Paraíba está cravada no meu peito para sempre. Mesmo que eu não queira, eu sou o João Grilo. Todos os dias, mesmo quando estou triste, alguém sorri para mim como se fosse para o João Grilo”, acrescentou o ator.
Na noite de domingo, foram exibidas duas sessões do longa cearense ‘Mais Pesado é o Céu’, dirigido por Petrus Cariry e protagonizado por Nachtergaele. O filme, que estreia comercialmente em agosto, aborda as duras realidades do Sertão brasileiro a partir da jornada de um casal refugiado que acolhe um bebê abandonado.
Com participação de elenco paraibano, como a atriz Danny Barbosa e o ator Buda Lira, a produção venceu a categoria de melhor filme de ficção no 15º Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (FESTin), realizado em Portugal. O filme também ganhou quatro categorias no festival de Gramado do ano passado.
Marcus Alves, diretor executivo da Funjope, destacou a grande presença do público. “Estamos celebrando os homenageados e isso deixa todos mais emocionados e felizes. Conseguimos fazer de João Pessoa uma referência do audiovisual brasileiro por oito dias, projetando a cidade para o país e para o mundo”, afirmou Alves.
Os homenageados da edição falaram sobre o reconhecimento. Bertrand Lira, cineasta cajazeirense, destacou a importância do festival: “Participei ativamente do primeiro FestincineJP e, desta vez, ser homenageado é uma grande emoção e um grande encontro para o cinema paraibano e brasileiro”.
Antônia Ágape, a primeira realizadora negra da Paraíba, também será celebrada. “As pessoas precisavam conhecer meu trabalho. Vou fazer 65 anos em dois meses, mas o que me satisfaz é o amor dos outros e o meu amor por eles”, afirmou Ágape.
O evento contou ainda com a presença do diretor Jayme Monjardim, que terá uma mostra em sua homenagem, além de Juca Ferreira, assessor da Presidência do BNDES, e o diretor da Ancine Paulo Alcoforado.
A segunda edição do FestincineJP recebeu 665 inscrições para as mostras competitivas, selecionando 42 títulos da Paraíba, Chile, Argentina, Colômbia e França. O festival também promove negócios para fomentar o mercado audiovisual paraibano.
As sessões do FestincineJP são gratuitas, sujeitas à lotação. Os ingressos são distribuídos 30 minutos antes de cada sessão, por ordem de chegada. A programação completa está no site www.festincinejp.com.br.
Destaques da segunda-feira (27) – O FestincineJP segue até 1º de junho, realizado pela Prefeitura de João Pessoa através da Funjope. A segunda-feira promete uma programação variada, com destaque para o início das Mostras Competitivas, a Mostra Jayme Monjardim e a celebração da obra de Antônia Ágape. Confira:
14h [Sala 1]: Mostra Jayme Monjardim com a exibição de ‘O Vendedor de Sonhos’ (2016).
16h30 [Sala 2]: Reprise de ‘Mais Pesado é o Céu’, para quem não pôde assistir à estreia.
19h [Sala 1]: Exibição hors concours do curta-metragem paraibano ‘As Cegas’ (1982), dirigido por Antônia Ágape.
19h [Sala 1]: Início das Mostras Competitivas com a exibição de ‘Cuaderno de Nombres’ (2023) e ‘Muertes y Maravillas’ (2023), ambos do Chile.
21h [Sala 1]: Continuação das Mostras Competitivas com os filmes ‘Samuel foi Trabalhar’ (2024), de Alagoas, e ‘Cervejas no Escuro’ (2023), da Paraíba.
19h30 [Sala 2]: Mostras Competitivas com ‘Samuel foi Trabalhar’ e ‘Cervejas no Escuro’.
21h30 [Sala 2]: Reexibição de ‘As Cegas’ e dos filmes chilenos ‘Cuaderno de Nombres’ e ‘Muertes y Maravillas’.
